
A Bola e a Chuva.
São Paulo, 27 de Junho de 2011.
Não que a chuva fosse torrencial, nem que o torcedor mais otimista acreditasse em um massacre. Inda mais com o primeiro tempo terminando zero a zero.
O dia amanheceu com Sol, levantei cedo para ir à feira com minhas filhas e ouvir os feirantes brincando com o clássico do Pacaembu. Os santistas entravam na dança com sua Libertadores novinha e a gritaria foi grande.
Cheio de desfalques, em meio à renovação do seu elenco, o São Paulo tinha a dura missão de enfrentar o descansado Corinthians e sua torcida, fora de casa. Pouco antes da partida a confirmação da ausência de Casemiro, enfraquecendo mais ainda o tricolor. Do outro lado, homenagem aos atletas corinthianos, campeões mundiais sub-17.
Desde o meio dia, a chuva e o frio espantavam os torcedores, a marcha GLTB realizando-se na Av. Paulista prejudicava o trânsito. Mais de 32 mil pessoas foram ao estádio mais agradável da cidade para sentar em seus assentos molhados e usar banheiros químicos de qualidade discutível.
O primeiro tempo teve o Timão cercando o São Paulo, que marcava bem. Chances claras de gol, poucas, quase nenhuma. Teve a justa expulsão de Carlinhos Paraíba por dois cartões amarelos e a reclamação monumental de Rogério Ceni dando e levando um cartãozinho para do árbitro, Rodrigo Bragheto, que errou ao não advertir Jorge Henrique. Teve também o meia Danilo e seus passos lentos, apupado a todo instante, pela insistente nenhuma boa vontade da Fiel com o jogador.
Intervalo e chuva.
Na volta, Carpeggiani não mexeu no time, manteve Fernandinho, Marlos e Dagoberto. Muita ousadia pra quem joga com dez. Aos 40 segundos, Danilo dentro da área e com apenas um drible, derrubou zagueiro e goleiro e só empurrou pro gol vazio.
O Timão cresceu e fez o segundo aos oito. Depois de cobrança de escanteio e cabeçada, no rebote de Rogério, com leve toque de Liédson, matando o jogo. O Levezinho marcou mais dois. Um de virada depois de ganhar do zagueiro dentro da área, outro em velocidade, completando cruzamento da esquerda.
Mas a redenção alvinegra estava por vir, a torcida enlouquecida gritava olé e teve tempo de provocar o goleiro adversário, chamando-o para cobrar uma falta na meia-esquerda do ataque tricolor, quase no mesmo lugar do jogo de Barueri.
“- Vai lá, pra pôr no DVD!”
Mas o grand finale estava por vir, aos 36, Jorge Henrique chutou da entrada da área, Rogério deixou a criança passar por baixo do corpo, ela entrou mansa pra delírio da fiel.
O placar eletrônico estampa 5 a 0, a derrota do maior rival para o Ceará e o rebaixamento do algoz River Plate para a segunda divisão.
No futebol, alma se lava com chuva!
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