quarta-feira, 11 de maio de 2011



Chicago Bulls e XV de Piracicaba.




Não se trata do próximo confronto dos playoffs da NBA. Nem tampouco da decisão do Paulista da série A2.



Ainda garoto, quando o Luciano do Valle resolveu trazer as transmissões do basquete americano para o Brasil, em minha turma de 6°série havia bons jogadores do esporte. A ponto de abandonarmos muitas vezes a prática do futebol no intervalo, para brincar na excelente quadra do colégio de bola ao cesto. Os times da época eram o Los Angeles Lakers, do já veterano Kareen Abdul Jabar, o homem dos ganchos, de James Worthy, bom pivô, de muitos outros craques e do espetacular Magic Johnson, ala camisa 32, estrela de primeira grandeza na constelação dos maiores esportistas de todos os tempos. Seu maior rival era o Detroit Pinstons de Isias Thomas, armador ágil e versátil. Tinha o Boston Celtics de Larry Bird, branquelo chutador de três pontos. O New York Nicks apostando em Pat Ewing, então jovem e talentoso pivô. Charles Barkley no Phoenix Suns, David Robinson no San Antonio Spurs.



Cada um de nós vibrava com os lances de craque que protagonizávamos. Assinávamos cadesta. Meu escolhido jogava muito, curiosamente nenhum dos meus amigos dava muita bola pra ele. Vestia a camisa 23 de um time que jogava de vermelho. Eu era Michel Jordan, enterrava saltando de fora do garrafão. Ele, não eu. Foram necessários alguns anos para que o time comandado por Air Jordan chegasse ao topo, conquistando 6 títulos da NBA.



Com a aposentadoria de seu astro maior, os Bulls caíram na tristeza, chegaram a ser os últimos colocados em uma temporada regular. Depois de 13 anos, comandados por Derek Rose, meu time de coração, está a uma vitória de voltar a disputar a final da conferência Leste. Vence por 3 a 2 o duelo contra o Atlanta Hawks. O adversário possivelmente será o forte esquadrão do Miami Heat, que joga hoje por uma vitória, para eliminar o Boston. 3 a1.



Antes ainda da sexta série, eu era um menino tímido que pouco brincava na rua movimentada, com ônibus dos dois lados. Ficava em casa, narrando e jogando intermináveis campeonatos de futebol de botão. Que eu mesmo bolava, com várias equipes, turnos e classificações emocionantes. Como esquecer o álbum de figurinhas que minha avó Memema trazia a cada visita, trocando notas fiscais por pacotinhos. O personagem um garoto chamado paulistinha, salvo engano. Nas mais variadas atividades; artista, médico, professor, lixeiro, padeiro, jogador de futebol, tudo representando o estado de São Paulo. A parte que mais me agradava era a dos times: O Noroeste, o Marília, o Comercial, a Ferroviária e claro o XV de Piracicaba, com seu nome e uniforme lindíssimos.



Pois foi nos anos 80, final dos 70 que me encantei por futebol. E na primeira divisão do importante campeonato estadual, entre alguns clubes, estava o XV de Piracicaba. Durante muitos anos, houve um vaziozinho triste. Era oXV, que não estava lá. No último sábado, o grande XV de Piracicaba empatou em dois gols com o Guarani de Campinas, sagrando-se na disputa por pênaltis, campeão da segunda divisão do campeonato paulista, voltando a ocupar o lugar que é seu. Dentro do coração de todos que como eu, amamos futebol.

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